Te aproveitaste da minha solitária caminhada para me acompanhar em silêncio, esperando pelo momento certo para, novamente, tentar me abraçar. Mas por ter visto a tua face, e ter sentido teu cheiro, sei quando estás próxima, e pude sentir teus olhos acompanhando meus movimentos, por debaixo do teu manto invisível.
Esperaste com calma, até que me voltasse a mim mesmo, aos meus pensamentos, aos meus segredos que até mesmo tu desconheces.
Neste momento, fechaste tua mão, que, atravessando meu peito, apertava meu coração, cessando o ritmo que garantia a minha existência física.
Neste momento, pude ver teu rosto novamente, e sorri, enquanto caía de joelhos, vendo que ainda és a mesma. Sabendo que para mim, nada és.
No meu sorrir, percebeste teu erro, e viste que não podes tomar o que ainda não te pertence.
Sei que voltarás. E também sei que, nesta próxima ocasião, trarás contigo teus amigos.
Mas eu não temo a ti.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
Y
Deixem de ser idiotas!
Não existe lugar para todos. É fácil falar que é possível realizar um sonho bastando apenas acreditar nele, no conforto de uma casa de luxo, com um carro de luxo. É a mentira estampada com o selo oficial, que nos fizeram acreditar.
Nós nos perguntamos por que eles sempre mandam os pobres. Nós sabemos a resposta. O miserável incomoda, no momento que você o olhar no rosto terá de ajudá-lo. Mas nós negamos a nossa própria humanidade quando admitimos que atualmente AINDA exista um conceito como invisibilidade social.
Precisamos da mudança, agora, eu não consigo acreditar em uma mudança que dê mais importância para uma máscara e uma venda nos olhos do que para as consensualmente verdadeiras perspectivas de liberdade, justiça e transparência. Sim, elas são mais do que palavras, são perspectivas. E não devemos nos deixar enganar para que pensemos o contrário.
Existem pessoas que não tem possibilidade de sonhar. E eu não me importo se são ou não dignos do sonho, eu apenas me importo porque são pessoas. Como eu e como você. Isso basta.
E quem achar que não basta, pode ir se juntar às putas, colocar a mão para cima e abanar como se não se importassem.
Não existe lugar para todos. É fácil falar que é possível realizar um sonho bastando apenas acreditar nele, no conforto de uma casa de luxo, com um carro de luxo. É a mentira estampada com o selo oficial, que nos fizeram acreditar.
Nós nos perguntamos por que eles sempre mandam os pobres. Nós sabemos a resposta. O miserável incomoda, no momento que você o olhar no rosto terá de ajudá-lo. Mas nós negamos a nossa própria humanidade quando admitimos que atualmente AINDA exista um conceito como invisibilidade social.
Precisamos da mudança, agora, eu não consigo acreditar em uma mudança que dê mais importância para uma máscara e uma venda nos olhos do que para as consensualmente verdadeiras perspectivas de liberdade, justiça e transparência. Sim, elas são mais do que palavras, são perspectivas. E não devemos nos deixar enganar para que pensemos o contrário.
Existem pessoas que não tem possibilidade de sonhar. E eu não me importo se são ou não dignos do sonho, eu apenas me importo porque são pessoas. Como eu e como você. Isso basta.
E quem achar que não basta, pode ir se juntar às putas, colocar a mão para cima e abanar como se não se importassem.
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Medo
Que loucura!
Tenho medo.
Olhando em volta, não há ninguém ali.
Venha comer alguns químicos comigo...
Loucura... Ninguém se importou.
Mesmo que não importando nosso estado, daria minha alma para salvar sua vida.
Porque eu não tenho escolha. Mas primeiro de tudo, porque eu o faria de bom grado.
Mas, e se eu te pegasse pela mão e te guiasse pelos campos? E você me faria entender o melhor que eu pudesse... Ainda que sejam poucos os campos que restam.
Toda a vez que eu tento ir, para onde eu realmente quero ir... Chego exatamente onde eu estou, porque eu já estou lá. Ao menos já cheguei.
Toda a vez que eu tento ir, para onde eu realmente quero ir... Chego exatamente onde eu estou, porque eu já estou lá. Ao menos já cheguei.
Tem alguém aí que me ouve morrer ou chorar?
Tem alguém aí, quando tudo estiver para acabar?
Estou apenas passando o tempo. Quando na verdade, queria mesmo te fazer inteira de novo.
São apenas palavras... não podem fazer nada. E eu também não sei o quê pode fazer.
Separados por vírgulas
amor?,
Pink Floyd - Echoes,
venha comer alguns químicos comigo
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Estranha coincidência
Estive por contemplar o fim de uma série de livros a qual acompanhei. É como se uma máscara fosse desfigurada pelo tempo. Uma série que começava com um ar sem preocupações, até na música se percebia isso. Porém, no fundo havia uma certa inquietação. O final, no entanto, já mostrava um rosto, uma "máscara" completamente diferente. Muito mais sombrio que no começo.
Foi quando percebi que era um molde, por assim dizer da própria vida. Começamos de maneira inocente, pura e criativa. Terminamos de uma maneira muito mais "madura". Cheio de medos, cheio de inquietações. É como se o tempo e a luz fossem nos transformando. Como se o meu rosto no espelho hoje fosse uma deformidade daquilo que um dia eu fui. Que não sou mais.
De fato. Quanto mais se sabe, se pensa que sabe, mais inquietante vai ficando, mais sem resposta... mais frio. E é esse o frio capaz de te empurrar para um beco sem saída, à procura de abrigo, à procura de um abraço.
É isso que nos faz ter medo do "outro", ou do problema dele. Pois, uma vez (co)existindo junto comigo, se há intolerância, há conflito, e há um problema.
Ironicamente o conflito é solúvel com a prática que leva justamente à inquietação, e ao mesmo tempo à paz individual.
E para os que dizem se tratar de uma mentira, é apenas uma mentira estampada com o selo oficial. E não há nada oficial que um dia não irá se libertar.
Assim como um dia entenderemos que todos somos pessoas, e como tais devemos ser tratados.
Assim como um dia, não precisaremos mais ter medo de sentir.
Eu não tenho mais. E você?
Separados por vírgulas
a vida é uma cachoeira,
nem o gigante gentil é grande o suficiente,
Pessoas,
sol
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Ninguém vai nos salvar agora...
Onde você espera ir, quando as bombas começarem a cair?
Onde você espera que o "outro" vá, quando as bombas começarem a cair?
Caindo como uma espiral para o chão. E ainda assim somos todos pessoas, isso deveria bastar.
Quando as balas começarem a produzir manchas de sangue... não na calçada, nem na terra...
A intolerância nos leva a aceitarmos coisas que não deveriam nem estar em questão.
Curiosamente, a prática que leva a tolerância, é a fina linha que separa os "loucos" dos "normais".
A mesma espessura que separa o entretenimento da guerra...
A mesma espessura que separa o entretenimento da guerra...
Não vamos deixar que um símbolo como a morte use a máscara da vida. Isso existe...
Não precisamos admitir violência quando assumimos que o outro é violento.
Deixe a vida lhe mostrar, que você tem uma mente e é uma pessoa.
Separados por vírgulas
apelo,
nao sei pq mas acho que boicotam os minhas postagens,
Pessoas,
sim eu tenho raiva agora
Percepção III
Afinal, na existência ou não, tudo o que somos é um reflexo abafado do que queremos, a geração profética da água engarrafada.
Quanto maior o sonho maior o grito... Sonhando gritar.
O despertar às vezes é brusco. Queremos, também a "normalidade"... Queremos a tranquilidade, a felicidade... a liberdade.
A raiva passa a nos mover com mais frequência. Talvez por isso temos o costume de odiar.
Odiar quando alguém nos chuta de nossas mentes de volta à existência... Não é porque nos querem mal... é apenas uma lembrança de que mesmo no meio de tantas coisas negativas, ainda temos o que saborear. Mesmo no meio do breu total. Só existe a escuridão porque em algum lugar existe ou já existiu alguma luz.
E vale a pena não deixá-la apagar-se.
Mas ainda assim temos uma missão.
E então, novamente, nós olhamos para o sol...
Separados por vírgulas
a vida é uma cachoeira,
sonhos
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
O meu refúgio
Eu precisava de um lugar seguro. Pra me proteger, pra me salvar do mundo maligno, das gentes ameaçadoras. De todo o querer que se tem pelo tempo de todos, das responsabilidades e do sucesso.
Uma conchinha solitária, onde eu pudesse me esconder da chuva e da fúria, das descargas e destroços.
Por uma incrível sorte, nas curvas sinuosas da minha estrada sem chão, encontrei exatamente o que eu precisava, o paraíso entre um par de braços. Lá me sinto em paz, lá está tudo bem.
Mas... também há tempestades lá dentro, as vezes, por causa das pesadas cargas que eu levo pra lá, minhas próprias nuvens negras.
Então percebi que nenhum escudo poderá me proteger de mim mesmo.
Uma conchinha solitária, onde eu pudesse me esconder da chuva e da fúria, das descargas e destroços.
Por uma incrível sorte, nas curvas sinuosas da minha estrada sem chão, encontrei exatamente o que eu precisava, o paraíso entre um par de braços. Lá me sinto em paz, lá está tudo bem.
Mas... também há tempestades lá dentro, as vezes, por causa das pesadas cargas que eu levo pra lá, minhas próprias nuvens negras.
Então percebi que nenhum escudo poderá me proteger de mim mesmo.
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