terça-feira, 9 de junho de 2026

Vi-me a te ver

Não era noite, tampouco era frio. No silêncio da vigília, eu não me sentia solitário; pelo contrário.
De passagem, dei de cara contigo e me olhando tu sorria.
Falo sobre esse encontro ainda fresco: breve e satisfatório, de uma estética ainda não arruinada pelos afazeres do tempo que passa sem pensar.
Lembro daquela outra ocasião como se há pouco tivesse ocorrido, porque de fato nunca a esqueci por muito tempo.
Não é com saudade nem com nostalgia que penso naquele dia, aquela noite.
Que bom encontrar em ti um sorriso singelo e honesto, simplesmente aparente, claramente inevitável.
Sei bem das idas e vindas que passaram por nós nesses anos todos, quase treze. Sei dos desejos malnutridos que sobrevivem na surdina, esperando pelo momento em que serão aceitos e finalmente assumidos.
Vagueio em curiosidade sobre a possibilidade e até mesmo a idade que teremos na próxima vez que nos olharemos como hoje, reflexivos.
Em outra vida.

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