terça-feira, 14 de abril de 2015
Bogas Borbulhantes
Eu não sei o que dizer.
Poderia parir uma bola de sebo ou tentar verborragear até achar algo que fizesse sentido em meio ao gorfo, no angu.
Seria uma fraude.
Mais ou menos do que isso, charlato.
É... uma prática que não me atrai, mas que as vezes sou incapaz de evitar, tal qual as reticências que acabo de cometer.
Ara, é o que acontece na vivência de um pangaré deste naipe.
As vezes, o Macaco Astral tem mais é que se calar. Mas não quer, não, não quer.
Poderia parir uma bola de sebo ou tentar verborragear até achar algo que fizesse sentido em meio ao gorfo, no angu.
Seria uma fraude.
Mais ou menos do que isso, charlato.
É... uma prática que não me atrai, mas que as vezes sou incapaz de evitar, tal qual as reticências que acabo de cometer.
Ara, é o que acontece na vivência de um pangaré deste naipe.
As vezes, o Macaco Astral tem mais é que se calar. Mas não quer, não, não quer.
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Macaco Astral
terça-feira, 7 de abril de 2015
No início era eu, o Dimes e o Pata, ou Pedro, ou Paulo. Paulo Portela. Não tinha um nome específico. Acho que Pata era o mais chamado.
Homem, aqueles eram os tempos! A comida era frequente e o conforto bastante. Bastava.
Perseguíamos aquelas grandes máquinas barulhentas. Dimes dizia que era o início do fim da tranquilidade. Hoje, imagino que ele esteja certo. Mas sei que tranquilidade nunca me encheu a barriga. Conforto também não.
Uma vez pegamos umas fêmeas, que dia de sorte. Uma pra cada um. Tivemos que brigar com o sabujo da rua de baixo porque o Pata era muito possessivo. No fim ele ficou nosso amigo, o Dente Massado, porque faltava dois dentes.
Sobre garotas ele tinha sábios conselhos, até mesmo o Pata começava a ficar esperto. Morrer nas ruas não é coisa que dá certo. Sei porque o Dimes muito se lamentava a morte da sua mãe. Ouvi dizer que todas as costelas foram quebradas.
Hoje eu estou velho e os tempos são outros. Outra rua. O conforto quase basta, e a comida enlatada, arroz, galinha, mandiocada. Claro, sempre sobras. Dos outros habitantes que, numa ação robótica quase, depositavam do outro lado da estrada.
Pata morreu semana passada. Fiquei triste. mas não gritei de noite. O Dimes ainda está por aí, umas duas ruas pro lado, coitado. Já levou até pedrada.
Hoje, há outros no nosso lugar, aprontando. Se aventurando. Até que o corpo diz que chegue.
Homem, aqueles eram os tempos! A comida era frequente e o conforto bastante. Bastava.
Perseguíamos aquelas grandes máquinas barulhentas. Dimes dizia que era o início do fim da tranquilidade. Hoje, imagino que ele esteja certo. Mas sei que tranquilidade nunca me encheu a barriga. Conforto também não.
Uma vez pegamos umas fêmeas, que dia de sorte. Uma pra cada um. Tivemos que brigar com o sabujo da rua de baixo porque o Pata era muito possessivo. No fim ele ficou nosso amigo, o Dente Massado, porque faltava dois dentes.
Sobre garotas ele tinha sábios conselhos, até mesmo o Pata começava a ficar esperto. Morrer nas ruas não é coisa que dá certo. Sei porque o Dimes muito se lamentava a morte da sua mãe. Ouvi dizer que todas as costelas foram quebradas.
Hoje eu estou velho e os tempos são outros. Outra rua. O conforto quase basta, e a comida enlatada, arroz, galinha, mandiocada. Claro, sempre sobras. Dos outros habitantes que, numa ação robótica quase, depositavam do outro lado da estrada.
Pata morreu semana passada. Fiquei triste. mas não gritei de noite. O Dimes ainda está por aí, umas duas ruas pro lado, coitado. Já levou até pedrada.
Hoje, há outros no nosso lugar, aprontando. Se aventurando. Até que o corpo diz que chegue.
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dimes
quinta-feira, 26 de março de 2015
Helpless
Não havia peixe
ali, haviam dito. Mas havia água, algum deus quis, e, se ele
quisesse, sairia de lá alguma coisa. Tentou de novo; nada. Ondas
minúsculas caminhavam para longe do pouso do anzol, um ar frio
levantou a gola da camisa, protegendo o pescoço. Se tivesse um
barco, embarcaria nele e pescaria aquele monstro perpétuo que o
assolava lá do meio do lago.
Mas havia madeira,
algum deus a plantou ali, tão próxima da água, e alguém que
conhecesse o ofício poderia produzir um barco a partir dela; não
era o seu caso, e seu Moacir lamentaria mais este infortúnio. Soube
construir sua cabana e ela tinha goteiras, mas disso a raridade das
chuvas não o permitia reclamar. Pensando nisso e sabe-se lá em que
mais, recolhe a linha mais uma vez, sem tirar qualquer fruto dela,
preparando o braço para tentar mais uma vez, tantas quanto forem
necessárias, pés cravados na beira do lago, aquelas ondas
demarcando domínios que não são seus, verdadeiras fronteiras a
flutuar.
Poderia construir
uma ponte, chegar mais perto, encarar o monstro, derrotá-lo sem
sacar armas, pescar sem uma vara; bolear o braço cansa, vai para
casa sentar um pouco, cevar um mate, de repente sentiu sede, o ar é
seco e frio, sopra vento afiado na cara, a porta de entrada do lar é
um convite. Pela janela, mira o lago e pensa que aquele demônio não
poria a cara para fora assim, sem mais nem menos, e talvez a solidez
de uma ponte o mantivesse a distância.
Há apenas sua
linha de pesca, e os anos a tornaram capaz de voar tão longe, e há
vento, pois algum deus, talvez o mesmo de sempre, quis assim, e seu
Moacir lança seu anzol cada vez mais longe, cada vez mais perto da
atroz toca subterrânea que aquele, aquele... monstro deve habitar,
que não é possível que seja diferente.
Seu Moacir não
sabe nadar, que deus nenhum jamais lhe ensinou, criou-se peixe e
criou-se homem, uma coisa não é a outra e então, então não há
como ir lá ver o que há, resta imaginar e lançar a linha, a linha
voa sem passarar, não tem asa e por isso cai, cai tão perto que
nunca é perto o bastante de onde deveria chegar, e seu Moacir sabe
que é velho e logo cansa mas ainda é jovem, jovem demais para
encarar aquela água escura, mas um dia ele chega lá, um dia ele
toma coragem e vai encontrar a mulher, tirar ela lá do fundo, onde é
prisioneira, só pode estar presa, somente assim se explica ela ter
entrado e nunca ter voltado.
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Demência para um,
Fronteiras Flutuantes,
Seu Moacir
segunda-feira, 16 de março de 2015
A Poison Heart
Não é meu tempo nem meu dinheiro o que querem de mim; desejam minha carcaça e todo o proveito que pode existir na obliteração dela, inclusive, é claro, uns poucos trocados que possam arrancar no processo; pisar é pouco, sapateado vem mais ao caso, marcham a marcha que não é a do povo cananeu, é o desfile da selvageria com que perpetuam seu sistema de existência; fossem abutres, quebraria seus bicos;
Anseiam, no seu coração venenoso, pelo poder, pela ascenção, fincar a bandeira, meter a mão; de fato, poder-se-ia representá-los como uma grande piroca voadora que nos tenta sodomizar sempre que pode.
Planejam, em sua mente vil, um movimento bem disfarçado, uma articulação além da minha visão, planejam cravar as presas e preparar o jantar. Ara, azar o deles, eu tenho para mim o meu antídoto, foda-se o veneno.
Anseiam, no seu coração venenoso, pelo poder, pela ascenção, fincar a bandeira, meter a mão; de fato, poder-se-ia representá-los como uma grande piroca voadora que nos tenta sodomizar sempre que pode.
Planejam, em sua mente vil, um movimento bem disfarçado, uma articulação além da minha visão, planejam cravar as presas e preparar o jantar. Ara, azar o deles, eu tenho para mim o meu antídoto, foda-se o veneno.
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Eu posso gostar de Ramones,
Negócios
segunda-feira, 9 de março de 2015
Macaco Astral
Na extensão de seu braço vibravam notas de rancor, flores roxas que não eram de amor, vitupérios querendo vir à luz. Queria falar e dizer o que pensa. Macaco Astral tem opinião, ara veja só, que improvável, que insuportável ver aqueles braços peludos, não há problemas nas pelugens, e sim no que eles fazem, aqueles braços que descem e sobem sem ordem nem ponderação, suas garras dilacerando tímpanos, martelos e marretas batendo na madrugada, marcando o passar do sono que não vem, lá vão aquelas mãos sem oposição, sem polegares, exprimindo uma revolta com tantos alvos indefinidos, atirador franco, sincero, tal qual aquela vadia da página azul, tudo muito verdadeiro, o Macaco Astral se expõe e se defende, dispara e nunca recua, trepida, tripudia e trepa na sua máquina de escrever, e troca o papel, e trocar de papel nem pensar, segue o curso, pragueja curses, que macaco canalha, biltre astral, não nega a que veio, não é apicultor, não filosofa, não para pra pensar nem compra ações, não analisa o mercado, não especializa, tem conta e banco, mas não tem talão, nem cartão, deita no banco quando tem de descansar, descansa enquanto conta quanto tempo terá para martelar na próxima noite adentro, rasgos trovoantes num papel sem cor, sem cansar, ele tem opinião e tratará de manifestar, o Macaco Astral não cala, não.
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Demência para um,
Macaco Astral
sábado, 7 de março de 2015
Fazer de conta
Tem gente que vive num mundo de faz de conta, faz de conta que vai ali ser feliz, faz de conta que tem amigos, faz de conta que tem namorado, cônjuge ou companheiro, faz de conta que é pop, faz de conta que tem o rei na pança, faz cara de rica.
Fazer de conta e depois fazer as contas, perceber o quanto se consegue ser boçal ao ponto de se sentir importante, legal, amado.
Fazer da vida um faz de conta é viver enclausurado na mentira, é não viver verdadeiros momentos felizes, é ser um refém de si mesmo, mal resolvido.
Fazer de conta; eu faço de conta que sei escrever =p
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Eu tô convivendo muito com o Elia.
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