A Júlia não era nenhuma dama fantasia, que andava em nuvens provocando sonhos lúcidos nos jovens desavisados em topiques ou parques... Mas, não posso dizer que se tratasse de uma garota ordinária, de vida comum, que adorasse comprar roupas ou ir no salão de beleza.
Uma das poucas enfermeiras que conheci, que se recusava a consultar, ou mesmo tomar remédios. Júlia estava certa nisso. Estava certa até mesmo em pintar o cabelo de rosa. Não que fosse feio na cor natural.
"O que eram as doenças?"
Ela sempre perguntava num azedume.
Aliás, perguntava tudo, perguntava os por quê's. Questionava e insistia, era chata demais.
Ela era brilhante.
Havia algo, no entanto, havia algo escondido dentro daquela mente.
Talvez a razão pela qual ela não consultava psicólogos ou psiquiatras, nunca sei qual é qual...
Pelo menos pra mim ela nunca falou. Acho que nunca vai falar.
Se ela estivesse no meu lugar, teria dito: "é impossível saber exatamente o que se passa na cabeça de outra pessoa, logo, não há preocupação".
Era simples assim.
Em diversos momentos, ela já foi surpreendida com os olhos repletos de lágrimas, seja numa visita inesperada, em seu apartamento em Porto Alegre, ou mesmo, perto do xerox no Centro 1 da Unisinos, naqueles lugares escuros de noite. Sempre na mesma posição, escorada na parede com um cigarro entre os dedos, às vezes apagado e às vezes aceso. Uma das poucas coisas que ela fazia que podemos dizer que era 'estático'. Além de vestir sua baby look do Led Zeppelin é claro...
E é isso que me preocupa.
Por que chora uma pessoa que parece estar certa sobre muitas coisas?
terça-feira, 6 de maio de 2014
terça-feira, 29 de abril de 2014
Alma
N'alma perdida que foi revelada como familiar.
Na pedra amanhecida da beira do mar. Musgo.
Mar revolto, no entanto, distante, quando grande é o pesar.
Que reino é este? Já não mais esquecido?
No sonho que a vi, não mais a mesma, cara pálida, caolha, nada de mais. Pra talvez nunca mais. Espero que não.
Cara escorrida quando pego nos braços, diferente sem ser desigual.
Cadê você?
Engraçado. Estava tudo como antes, a mesma aparência. Mas algo havia mudado, não em seu coração, nem na paisagem. Mas eu havia mudado.
No meu novo 'eu', sem precedentes, nada mais deixaria de sucumbir, tamanha a especulação de uma varredura minuciosa e derradeira.
E assim, mais uma coisa você se tornou.
Como todas as pessoas que eu vejo na rua, você é comum.
Você tem defeitos e está impregnada, assim como eu, nesta existência, onde nada que for mágico resiste.
Como as frases de motivação que não passam de uma cilada. Dos muitos gênios de escadarias, e engenheiros de sapatos...
Como em uma reunião beneficente, onde favores são trocados na base da moeda e a moeda de base é o seu mais frágil princípio. Decadente.
Onde o deus maligno das tentações e duras provações anda à espreita.
E quando ele lhe disser: "Você venceu. Você é poderoso." Recue.
Da prisão eficiente, uma saída: A sua lucidez.
Na pedra amanhecida da beira do mar. Musgo.
Mar revolto, no entanto, distante, quando grande é o pesar.
Que reino é este? Já não mais esquecido?
No sonho que a vi, não mais a mesma, cara pálida, caolha, nada de mais. Pra talvez nunca mais. Espero que não.
Cara escorrida quando pego nos braços, diferente sem ser desigual.
Cadê você?
Engraçado. Estava tudo como antes, a mesma aparência. Mas algo havia mudado, não em seu coração, nem na paisagem. Mas eu havia mudado.
No meu novo 'eu', sem precedentes, nada mais deixaria de sucumbir, tamanha a especulação de uma varredura minuciosa e derradeira.
E assim, mais uma coisa você se tornou.
Como todas as pessoas que eu vejo na rua, você é comum.
Você tem defeitos e está impregnada, assim como eu, nesta existência, onde nada que for mágico resiste.
Como as frases de motivação que não passam de uma cilada. Dos muitos gênios de escadarias, e engenheiros de sapatos...
Como em uma reunião beneficente, onde favores são trocados na base da moeda e a moeda de base é o seu mais frágil princípio. Decadente.
Onde o deus maligno das tentações e duras provações anda à espreita.
E quando ele lhe disser: "Você venceu. Você é poderoso." Recue.
Da prisão eficiente, uma saída: A sua lucidez.
Separados por vírgulas
impermanência,
sonhos
segunda-feira, 28 de abril de 2014
Por que você não me toca?
Me toca!?
Por que você não me toca?
Me toca!
ME TOCA!
AGORA!
AGORA!
AGORA!
AGORA!
AGORA!
Me toca!?
Por que você não me toca?
Me toca!
ME TOCA!
AGORA!
AGORA!
AGORA!
AGORA!
AGORA!
Separados por vírgulas
Genesis - The Musical Box
sábado, 26 de abril de 2014
terça-feira, 22 de abril de 2014
Angu
Léo é uma bunda com nome, um dos
poucos casos conhecidos.
Preferência nacional, nunca sofreu
muito com qualquer tipo de rejeição. Mesmo assim, houve uma época
difícil em sua vida, onde outras bundas a encaravam com desdém e
seus cus peidavam palavras de deboche, por causa de uma
característica sua que a diferenciava das demais - fisicamente. Léo
era uma bunda estranha.
Acostumou-se: era quem era. Encarava
seus deveres e sua rotina com a determinação mediana de qualquer
um; ia levando a vida, que mais poderia fazer? Sabia que as outras
bundas queriam vê-la pelas costas, mas seu desprezo não a
atingiria.
Com o tempo e a maturidade, vivendo
numa época que pretende fortalecer auto-estimas, Léo passou a
valorizar a sua chamativa diferença: era quem era.
Quarta-feira pela manhã, enquanto
seguia em direção ao centro e ouviu, sem se importar, alguém
peidando baixinho: "Olha aquilo ali! Uma bunda com cara de
gente", simplesmente seguiu adiante: estava cagando e andando.
Separados por vírgulas
Alguém aí trocou de cara com o Léo?,
Fronteiras Flutuantes,
Nádegas
terça-feira, 15 de abril de 2014
Segura a carga da Fâni
Segura a carga de graça
Segura a carga da Fâni
Eeeeeeeeeeeee
Põe a carga logo em mim!
Segura a carga de graça
Segura a carga da Fâni
Eeeeeeeeeeeee
Põe a carga logo em mim!
Separados por vírgulas
Ih pai!,
Peiteiro Maluco
segunda-feira, 7 de abril de 2014
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